O CRIADOR DE INIMIGOS

14 set 2017 por Letícia Lima

Eu e o OutroO individuo dessa componente conduz-se a fabricar um inimigo como um “bode expiatório”, para carregar o fardo da inimizade que reprime de todo resíduo inconsciente de sua hostilidade, criando um alvo dos seus demônios particulares desviando a um inimigo publico; o outro.

Os conflitos que se envolve podem demonstrar no fundo, rituais compulsivos, dramas da sombra, nos quais continuamente tenta matar de sua personalidade que é negada e desprezada. Sua esperança de sobrevivência está em mudar o modo como pensa os inimigos e os conflitos internos.

Em vez de ser hipnotizado pelo inimigo, ele precisa começar a observar os olhos com os quais “vê” o inimigo, examinando a forma como se fabrica a imagem dele, como é criado o excesso de mal, como transforma o mundo num campo de matança, pois, parece improvável que alcance qualquer sucesso no controle da guerra a menos que compreenda a lógica da paranóia política e o processo da propaganda que justifica sua hostilidade.

É necessário tomar consciência do que Jung definiu como “Sombra”, mergulhando com coragem nas trevas do fundo da psique pessoal e coletiva para enfrentar o inimigo interior.

A psicanálise trouxe à tona a inegável verdade de que o inimigo é construído a partir de aspectos reprimidos de si mesmo, sendo este o núcleo consciente da psique, a entrave mais intima da consciência humana.

Sua paranóia envolve um complexo de mecanismo mental, emocional e social, onde através dele, uma pessoa, um povo, reivindica para si a retidão e pureza, atribuindo hostilidade e maldade ao outro, “o inimigo”.

O processo começa com uma divisão entre o lado ”bom”, com o qual se identifica conscientemente, e o lado “mau”, que permanecerá inconsciente à medida que puder ser projetado sobre um inimigo.

Através dessa ilusão, faz-se com que as partes inaceitáveis como sua avidez, crueldade, sadismo, hostilidade que habitam a Sombra desapareçam, e só a reconheça como comportamento do inimigo; o outro!

Esse comportamento reduz a ansiedade e a culpa “pessoal” ao transferir para o “outro” as características que o individuo não quer reconhecer em si mesmo.

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